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Zema, Azeredo, Bolsonaro e FHC: velhos e novos privatistas

Poucas coisas são tão velhas quanto o “novo” da propaganda de Romeu Zema em Minas Gerais. Estivéssemos nos trágicos anos 90 de FHC e Eduardo Azeredo, o que Zema propõe já seria antiquado e ineficaz. Apresentadas hoje, em pleno 2019, suas propostas cheiram a naftalina ideológica.

O governador mineiro diz que deve aderir ao plano do governo federal e privatizar a Cemig e a Copasa. Mais: pretende demitir servidores e congelar salários. Atende ao que está sendo pedido por Bolsonaro e sua equipe econômica como pré-condição para uma “ajuda” do governo federal a Minas Gerais.

Zema repete assim a ideologia que Bolsonaro, Paulo Guedes e os bajuladores em volta repetem em todos os meios, contando com o coro dos ingênuos de sempre nas redes sociais. “Privatiza tudo”, gritam, acreditando que assim sobrará dinheiro para o “essencial”.

É mentira, e não precisa ser PhD em história econômica para saber disso. Basta um pouco de pragmatismo e menos ingenuidade. No governo Azeredo, entre 1995 e 99, essa receita foi aplicada com disciplina. Deu no que deu: Minas Gerais quebrou. Pior: desfez-se de um patrimônio que foi vendido por mixaria.

Foi assim com o Bemge e o Credireal. O primeiro foi privatizado em 1998, vendido ao Itaú por R$ 538 milhões, após o governo Azeredo investir R$ 1,2 bilhão no “saneamento” do banco. Como se imaginava, o Itaú acabou com a função social do Bemge e deixou órfãs centenas de cidades que tinham no banco do estado a única instituição financeira do lugar. O Credireal foi vendido um ano antes, por apenas R$ 121,4 milhões, com zero de ágio.

Azeredo seguia as recomendações de Fernando Henrique Cardoso e seu ministro Pedro Malan em Brasília, que mandavam o governador mineiro vender tudo. Em troca, Minas conheceria o paraíso. Como se sabe, as finanças estaduais foram ao inferno no pós-Azeredo.

Ele não apenas vendia tudo. Todos se lembram da entrega da Cemig às norte-americanas Southern Eletric e AES, um negócio exótico que envolvia milhões em paraísos fiscais e até hoje nunca foi bem explicado – uma história tão nebulosa que a negopciata foi depois acertadamente anulada no governo Itamar Franco. Azeredo ainda permitiu as perdas com a famigerada Lei Kandir, que até hoje geram prejuízos bilionários ao estado, ao perdoar tributos das exportadoras da mineração (a Vale agradece!).

Zema repete Azeredo. Tal como Azeredo foi capacho de Fernando Henrique, o atual governador é capacho de Bolsonaro. Promete destruir o sistema público do Estado em troca de vantagens para lá de duvidosas. Não tenho dúvidas que, tal como ocorreu com Azeredo, levará Minas ao prejuízo, econômico mas principalmente social.

Essa destruição, aliás, já vem ocorrendo. Zema repete Bolsonaro ao perseguir servidores públicos, jogando a culpa de todos os problemas do estado sobre os ombros das trabalhadoras e trabalhadores. A menos que consigamos barra-los, ambos, Zema e Bolsonaro, desestruturarão o que ainda existe de serviço público na educação, saúde e segurança.

Estamos tomando medidas a fim de evitar esse projeto antigo com cara de “novo”. É o momento de união das bancadas de Minas na Assembleia Legislativa e na Câmara federal. Já no começo da próxima semana enviarei requerimento para iniciar esse debate.

A União não pode tratar Minas Gerais com desprezo, aproveitando-se da inexperiência e falta de pulso do atual governador, além do seu fanatismo ideológico ultraliberal. Somos a segunda economia do país. Temos história. Uma história de resistência e luta pela liberdade. A frente em defesa de Minas que precisamos criar não esquecerá isso! Precisará trabalhar ao lado das intensas mobilizações populares que serão fundamentais para impedir esse desmonte, a começar pela greve geral da próxima sexta-feira 14 de junho. Elas são e serão necessárias como mais eficaz forma de pressão ao parlamento e aos governos. Estaremos juntos! Sempre na luta!

Rogério Correia, deputado federal (PT-MG)
Mandato Sempre na Luta

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