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Viagem de Anastasia e a “Matrix” Tucana: requerimento notícias, “produzindo” factóides e generalidades

O Governador Anastasia embarcou para o Japão e Alemanha, na sexta-feira, dia 22, segundo ele, em entrevista ao Jornal Estado de Minas (23/07), para tentar atrair “investimentos principalmente nas áreas de agronegócios, mineração, indústria e serviços”. A rigor, ele listou todos os setores possíveis de investimentos no planeta Terra. Além do agronegócio, da mineração, indústria e serviços (categorias que abarcam a totalidade das áreas e sub-áreas de investimento) onde mais ele poderia atrair investimentos? Aliás, as categorias da indústria e serviços já abarcam o todo. Ele redunda em cima de redundâncias.

Como é de seu costume, ele fala “à exaustão” nada com nada, ou coisas requentadas. Dizer que vai ao Japão “principalmente” para atrair investimentos… em todas as áreas possíveis, é não especificar nada. O advérbio aí é mera arma de retórica. Se ele vai “principalmente” tratar de tudo, ele ainda comete uma violência com a lógica.

Vamos analisar a entrevista que, editada por dois profissionais sérios do citado jornal (Juliana Cipriani e Renato Scapolatempore), reflete o vazio governamental do projeto tucano para Minas Gerais.

O PASSEIO PELA ALEMANHA

Na Alemanha ele terá uma “série de encontros para viabilizar e confirmar empreendimentos como o da Mercedes Benz que vai transformar sua plataforma em Juiz de Fora em produtora de caminhões”.

Se esse foi o motivo, desnecessário é o tour. A retomada da planta automotiva de Juiz de Fora está mais que “confirmada” e “viabilizada”. Basta pesquisar no site da Mercedes Benz do Brasil para ver que tal decisão já havia sido tomada desde 2009. E sem qualquer participação do governo mineiro. Aliás, em 2010, faltando poucos dias para se desincompatibilizar do governo, Aécio Neves resolveu fazer ameaças à Mercedes, para que a mesma efetivasse o que ela já tinha decidido e se preparava para implantar: a produção de componentes e caminhões para atender a demanda da fábrica de São Bernardo, que estava no limite de sua capacidade instalada. Puro factóide.

A empresa ignorou as bravatas de Aécio Neves, enviando uma carta ao Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora, na qual nem sequer era mencionada qualquer tratativa com o governo mineiro. A reativação da planta de montagem naquela cidade se devia ao aquecimento do mercado nacional para caminhões, explicitava o texto.

E, na falta do que falar, Anastasia diz que vai “ver os tipos de veículos e equipamentos que vão produzir aqui. Ao mesmo tempo lá existem muitos mineiros que foram treinar e se qualificar.” Os equipamentos que serão fabricados em Juiz de Fora já são produzidos em São Bernardo do Campo. Sobra a desculpa de que tem muitos mineiros lá para “treinar e se qualificar”. E daí? Fora a nova redundância (treinar e se qualificar) o pretexto pode servir para quaisquer das suas escapadas ao exterior, em vários países onde tem mineiros treinando e se capacitando.

O único ponto positivo de sua entrevista: “Acho que agora aquela fábrica (Mercedes), que não foi como todos nós queríamos, vai se desenvolver muito e ajudar a desenvolver o polo da Zona da Mata.” Ou seja, ele reconhece que a fábrica da Mercedes de Juiz de Fora, atraída com muito dinheiro público no governo Azeredo, foi um investimento governamental fracassado. E só agora, na linguagem dos economistas, por “fatores exógenos” pode ser reativada.

O PASSEIO NO JAPÃO

O tour pelo Japão foi para produzir fotos para o Flickr. Em uma das fotos, ele aparece com um diretor da Mitsui, empresa de investimentos, negócios e marketing que vai aportar recursos numa Joint Venture com a Dow Chemical. Ou seja, a dimensão tecnológica da planta a ser instalada em Santa Vitória nada tem a ver com a empresa japonesa e sim com a Dow Chemical, que já está instalada na cidade mineira.

Aliás, a notícia da parceria entre essas empresas foi dada, no sábado, por vários sites especializados e nem sequer foi citado o governo estadual. Trata-se da produção de insumos para a indústria de cosméticos, que felizmente independem da própria ausência de política industrial do governo tucano. Ou seja, dizer que “Estamos com investimentos importantes, a própria Dow Chemical com os japoneses”, é insinuar que o governo estadual é protagonista do processo. E não é.

Para apresentar um “ar” de relevância dessa visita ao País do Sol Nascente ele completa: “Sem prejuízo de outras nações amigas, sabemos que o relacionamento de Minas com o Japão é muito próximo”. O ato falho e a gafe que nivelam Minas às “outras nações amigas” do Japão são também reveladores da falta de assunto.

Atração de empresas

“Antes de viajar, Anastasia anunciou um investimento de R$ 31,5 milhões da multinacional norte americana Caterpillar em Minas Gerais. A empresa MGE equipamentos, integrante do grupo vai instalar uma fábrica de produção de locomotivas para exportação.”

Aí a pirotecnia aparece em sua plenitude.

O caso lá é o seguinte: nos terrenos e nos galpões da antiga Rede Ferroviária privatizada (hoje FCA), uma fábrica vai montar cabines e estrados para exportação. Repete-se o verbo: montar. O motor diesel virá dos EUA. Os motores de tração serão fabricados em Diadema ou Hortolândia, em São Paulo. Outros implementos serão comprados também em São Paulo. Até porque nenhuma “fábrica de locomotivas para exportação” é construída com investimentos de apenas 31 milhões de Reais.

Mais uma vez, o estado só comparece com incentivos que significam renúncias de receitas futuras. Fora isso, o governo mineiro só participa da propaganda e autopromoção. Segundo anúncio da Caterpillar, nos EUA, foram “generosos os incentivos fiscais” dados pelos tucanos.

Sobre a BMW e Montes Claros:

“(…) não existe uma decisão firme de construir ou não sua fábrica no Brasil”. (Anastasia)

Depois da gafe de sua equipe de governo, que acusou o prefeito de Montes Claros de inviabilizar a ida da BMW para a cidade, Anastasia reconhece que a montadora alemã nem sequer tem decidido seu investimento em Minas. E adota uma postura mais comedida e responsável sobre o tema. Mas, antes do desmentido da empresa, sua equipe gerou a expectativa do investimento, como mais um factóide de um governo que pouco tem para apresentar.

Sobre a crise no Ministério dos Transportes:

Demonstrando prevensão, Anastasia evita comentar os problemas no Ministério dos Transportes. Sabe ele que “telhado de vidro” é uma das características do governo mineiro. Fora o blá-blá-blá, ele registra que é importante resolver o “caso” até porque nós “tivemos o ano passado, o maior incidente na história do estado, que demonstrou um mau cuidado do governo federal com nossas estradas.” (Sic.) Ele se referia à queda da ponte na BR 381. A presidenta Dilma agradece: se esse foi o maior “incidente”.

Sobre reajustes e reivindicações:

“Muitas pessoas não compreendem e dizem: ‘Ah, mas o estado cresceu 10,5%, o PIB cresceu muito.’ É verdade. Mas sobre a mineração, por exemplo, nós não recebemos um centavo de ICMS, porque o minério é exportado e a Lei Kandir não nos dá o ressarcimento”, justifica o governador. E o mesmo se dá com o café.

Veja o que dá enganar a D. Lucinha… Coitada, ela foi à televisão e ao rádio dizer que Minas cresce mais do que o Brasil, e que o mineiro está com “tutu” no bolso e à mesa. Ora, sendo assim o estado “que cresce mais do que o Brasil” também arrecada mais. Se arrecada mais, pode pagar melhor seus servidores. Como todo típico tucano, que repete a argumentação quando alguém dela discorda, Anastasia diz que as pessoas não “compreendem” o argumento. Mas, governador, as pessoas simplesmente apontam a contradição da máquina de propaganda que inventa a “Matrix” mineira e a realidade do estado de Minas Gerais.

Além do mais, ao citar a “Lei Kandir” é bom lembrar que essa lei leva o nome de um deputado federal tucano de São Paulo e teve o voto favorável do atual senador Aécio Neves, quando em seu terceiro mandato como deputado federal. Eis uma herança maldita para os estados, que veio com a assinatura do PSDB.

CONCLUSÃO: VIAGEM INÚTIL E GASTO DE DINHEIRO PÚBLICO

A viagem do governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia, ao Japão e à Alemanha não se justifica pelos fatos narrados. Os fatos citados, importantes para o estado, independentemente da participação do governo na sua efetivação, já foram noticiados em outras épocas. Essa repetição de “furos” tem sido uma marca do governo tucano mineiro. Muito marketing e pouca “produção”.

Resta saber sobre a “entourage” que o acompanhou. Qual é a conta desse passeio para o bolso do contribuinte?

(Fonte: Site Bloco Minas sem Censura)

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