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UNIDADE DO PT-BH / SEM TUCANOS

Para além das trivialidadesuma abordagem analítica sobre BH, PT e o Governo Dilma

Os acontecimentos recentes em Belo Horizonte convocam o petismo e os petistas a se unirem ainda mais. O que está em jogo na capital mineira é muito mais do que um conflito político localizado entre o prefeito e o vice-prefeito. Alguns tentam levar para este caminho a análise dos acontecimentos recentes. Nada mais equivocado.

A disputa de 2012 envolve os interesses do país em 2014. Dois projetos de nação estão em confronto. E tal disputa também reflete o quadro internacional de agudização da crise financeira, que revela a falência do projeto neoliberal e de todas as suas repercussões em termos de soberania nacional, desenvolvimento econômico, distribuição de renda, direitos trabalhistas e sociais e recuperação do papel do estado em todas estas esferas.

A crise: no mundo, no Brasil e em Minas

O presidente Lula mostrou o rumo democrático e popular de enfrentamento da crise: manter a economia aquecida, consolidar o mercado interno, garantir as políticas de transferência de renda e evitar medidas recessivas. Na época, o grão tucanato apostou no inverso, criticando as soluções encaminhadas por Lula e propondo o receituário ortodoxo: corte de investimentos sociais, arrocho salarial, paralisação de obras, demissão no serviço público.

Esse caminho, com várias suas nuances, foi seguido em parte da América do Sul. Enquanto que a Europa, Estados Unidos e Ásia trilharam, mais uma vez, o receituário neoliberal para tratamento de crises.

Basta comparar as duas situações, para que se vislumbre qual o caminho a percorrer e o que está em disputa no Brasil e em Minas Gerais.

Os Estados Unidos estão às voltas com seu histórico déficit orçamentário, as economias europeias se desmancham frente à necessidade de se evitar uma quebra no sistema financeiro privado (os governos caem, direitos sociais são retirados e milhões são levados à miséria),  e o Japão, que segue caminho distinto, enfrenta dificuldades semelhantes. A crise das oligarquias no Oriente Médio colocou nas ruas milhões e milhões de pessoas, em busca de sua “primavera” democrática.

Na América Latina, países que seguiram a via neoliberal mostram suas fragilidades. O Chile e o México são exemplos.

Já o Brasil, a Argentina e outros adotaram medidas que os colocam, hoje, em melhores condições para enfrentar essas novas turbulências. Guardadas as devidas diferenças, China, Índia, Rússia e África do Sul também evitaram o alinhamento completo ao receituário neoliberal. E somam com o Brasil para uma alternativa global ao cassino financeiro que sustenta os impasses internacionais.

O mundo está polarizado e o Brasil também.

Tucanos: o velho discurso para o Brasil, para Minas e para BH

Os mais recentes pronunciamentos da nata tucana indicam que se mantem no leito do falido receituário neoliberal. Querem radicalizar nas medidas quer recomendaram em 2008/09: desaceleração do PAC, corte nos gastos sociais, arrocho salarial, demissão no setor público, ampliação das terceirizações como medida de economia custos, vender o que resta de ativos públicos etc. A mais original e tacanha ideia que propõem é dissolver os fundos públicos, notadamente o FAT, em objeto de especulação privada e individualizada, em que cada “dono” da sua “cota” pudesse aplicar no mercado financeiro privado, nacional ou internacional, como bem lhe aprouvesse!

Tudo isso vai de encontro ao que Lula e agora Dilma propõem para o Brasil.

Ou seja, há dois projetos em disputa. Misturá-los, despolitiza-los, dissolver suas diferenças, com base em interesses pragmáticos é um desserviço à disputa de hegemonia democrática e popular que buscamos fazer na sociedade brasileira.

Hoje, a oposição centrada nos partidos da direita neoliberal está enfraquecida. Transfere-se, portanto, para a mídia conservadora o papel de fustigar o PT, o governo Dilma, nossos governos estaduais e municipais. E o fazem pelo viés da discussão sobre a corrupção. Ou seja, não assumem – explicitamente – o falido projeto neoliberal.

Estão à espreita, querem nos enfraquecer, nos dividir, nos confundir.  Ganham tempo para reorganizar suas forças, cooptar nossos aliados e estruturar um projeto alternativo. Estão de olho em 2014.

E é isso que está em disputa em 2012, nas eleições municipais.

No ano passado tivemos um grande estelionato eleitoral em Minas Gerais, destinado a garantir a eleição de Anastasia e Aécio Neves. Hoje, a verdade aparece: o estado está quebrado e endividado. A mentira do “choque de gestão” emerge do 1,3 bilhão de Reais gastos com propaganda enganosa.  Desnuda-se a farsa do “déficit zero”. Já não podem esconder mais a maquiagem nas contas públicas mineiras, com sua contabilidade criativa e com operações de duvidosa legalidade, como o calote de parte de um pagamento de dívida com a CEMIG sendo usado para compor o farsesco equilíbrio fiscal. A corrupção, ao contrário do governo Dilma, que apura e pune malfeitos, aqui é acobertada e dissimulada. Até porque envolve diretamente o ex-governador e agora senador Aécio Neves. Como, aliás, vimos denunciando, inclusive, com representação formal nos órgãos destinados a fiscalizar, apurar e punir irregularidades.

Porém, os tucanos mineiros estão em grandes dificuldades, mas não estão derrotados. Ainda que para manter o governo do estado em 2014 tentem evitar qualquer polarização com o PT e seus aliados no próximo pleito municipal.

Aceitam inclusive, em Belo Horizonte, ficar numa posição formalmente subalterna, para evitar sua exposição, como projeto de governo e de sociedade em declínio, e que busca se reciclar. Eles tem plena confiança que o atual prefeito de BH lhes acolherá de forma bem generosa.

Acatar a despolitização do debate e imaginar que uma aliança sem caráter político claro é vantajosa para a cidade, ou é uma demonstração de grande oportunismo político ou de uma imensa ingenuidade.

BH 2008: um exemplo a não ser seguido

Algumas lideranças nacionais do PT, ainda que de maneira nem tão enfática, nem tão clara, “flexibilizam” o discurso quando em solo belorizontino, deixando aberta a brecha para alianças com tucanos, demos e PPS.

Sabem que isso é pura retórica. Primeiro, porque não praticam isso nas suas “porto alegres” ou “são paulos”. Segundo, porque seu jogo é congressual, ou seja, falam e agem pensando nas demandas imediatas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, em termos de governo Dilma.

O problema é que ao “rifar” BH, capital do estado onde reside, politicamente, a única alternativa viável à reeleição de Dilma Rousseff,  contribui-se  para a própria reciclagem política do projeto neoliberal no país. Aécio levou no bico aqueles que nele acreditaram em 2008. Ele nos enfraqueceu, nos dividiu, nos confundiu e nos derrotou em 2010. Inclusive para o senado, quando alguns se iludiram com sua lenga-lenga de “política de convergência”. No momento que lhe pareceu adequado, ele “convergiu” seus acúmulos até mesmo para eleger Itamar Franco para o senado.

BH 2012: construir um exemplo a ser seguido

O Diretório Estadual do PTMG, por ampla maioria, tem adotado resoluções que apontam em duas direções simultâneas e complementares. É preciso que o PT se unifique e se fortaleça enquanto partido dirigente. E que busque o máximo de unidade da base de sustentação da presidenta Dilma nas eleições municipais vindouras.

O Diretório Municipal do PTBH, numa postura autocrítica sincera vem, há tempos, questionando os rumos da administração da PBH.

As duvidosas PPP’s na saúde, déficits de direitos humanos com os moradores de rua, de respeito e diálogo com feirantes, de respeito aos movimentos de luta por moradia, a venda de terrenos públicos, a ocupação do Isidoro, a verticalização na Pampulha, a burocratização da participação popular, são alguns dos assuntos que permeiam as preocupações de petistas na cidade. Algumas dessas questões já foram, inclusive, objeto de resoluções pelo próprio Diretório Municipal petista. Grande parte dos petistas na PBH reconhece como problemática a identidade do prefeito com as concepções e com o projeto de Aécio Neves.

Somamos a isso alguns ônus que não são “nossos”: a história do trabalho “voluntário” do filho do prefeito no Comitê da Copa, o aluguel de aviões, a gestão privatista e incompetente na BHTRANS (que deixa o trânsito ainda mais caótico), a contratação de consultorias a preço de ouro, sem qualquer critério ou justificativa pública, o trato fisiológico com a Câmara de Vereadores etc. Tudo isso cai no colo do PT.

É bom que se rememore também uma das consequências do pragmatismo de 2008: aquilo legou à cidade a pior composição do legislativo municipal, deixando a bancada petista constrangida, tamanha é a desqualificação dos “aliados”. Aliás, nossa bancada na CMBH sofre constantemente ações de “assédio isolacional”: até mesmo da Mesa Diretora fomos excluídos, com a clara anuência do prefeito. Tudo isso para nos enfraquecer e nos deixar reféns em 2012.

Na Assembleia Legislativa acompanho a conduta do PSB.  Sua defesa do governo Anastasia não deixa dúvidas . Além disso, nos momentos mais duros de enfrentamento com a mídia conservadora não ouvimos nem uma palavra sequer de solidariedade ao PT vinda do prefeito de BH. Isso sem contar com os constantes destratos de petistas na administração e a deselegância em relação ao companheiro Patrus, em declaração desastrosa no Ceará, sobre a educação no município. Que além de tudo não correspondia à verdade.

O Diretório Municipal do PT tem tido uma postura equilibrada, ainda que diante de tais problemas e contradições. Suas resoluções e ações vão sempre num rumo muito claro: queremos a unidade dos partidos da base da presidente Dilma, incluindo o ambíguo PSB, mas sem a companhia tucana. Queremos valorizar as relações com o PMDB, PDT e PCdoB. Este, aliás, enfraquece sua pareceria histórica com o PT, vendo a política pragmática de nosso presidente estadual, Reginaldo Lopes. É bom que se registre: as opiniões públicas de Reginaldo Lopes contrariam abertamente as posições adotadas pelo próprio Diretório Estadual.

Falta sensibilidade para alguns em reconhecer, por exemplo, o gesto de grandeza do PMDB que retira seus nomes, previamente lançados, para pavimentar um caminho comum de construção de um projeto coerente o federal, para a capital mineira.

Posição esta em plena consonância com as diretrizes nacionais, que afirmam categoricamente: não se aceita coligação ou aliança com PSDB, DEM e PPS nas eleições de 2012. E mais do que isso: reivindicamos para BH a retomada do modo petista de governar. Com transparência, participação popular e inversão de prioridades de investimento.

São esses os antecedentes políticos e ideológicos que, com certeza, motivaram a atitude de retaliação do prefeito Lacerda, demitindo petistas sob a grave insinuação de que não trabalhavam.

Portanto, os conflitos que agora aparecem na boca de analistas interessados, não decorrem da atitude intempestiva e autoritária do sr. Lacerda. Pelo contrário, tal atitude é consequência do despertar do PT para o mal estar que estava e está tomando conta da cidade.

Nada de pessoal tenho contra o atual prefeito. Minhas divergências com ele se situam no campo político e ideológico. Como, aliás, externei em 2008. Naquele ano se gestou a derrota politica do PT na cidade. E que teve graves consequências em 2010, como já dissemos anteriormente. Isso sem falar na derrota, nos dois turnos, da então candidata Dilma Rousseff, em sua cidade natal.

Nesse sentido eu presto minha solidariedade ao vice-prefeito, companheiro Roberto Carvalho e aos petistas demitidos. Reconheço como sinceras as respectivas autocríticas. Inclusive daqueles que, mesmo não externando, sentem o mal estar de uma gestão fortemente tucanizada como a de BH. O ataque a eles é um desafio à dignidade do PT e dos petistas. Quem se calar ou desqualificar tal movimento autocrítico é porque está apegado a interesses menores.

Eis o que está em jogo: a cidade está receptiva a se reencontrar com as melhores tradições petistas e o cenário político de 2014 vai se mostrar bem acirrado. Defender a unidade da base dos partidos que apoiam a presidenta Dilma é o ponto de partida e o critério mais forte. Eleger os pontos fundamentais que a população de BH demanda é o que poderá soldar a unidade dessas forças.

Coerência petista foi o lema que adotamos em 2008. Ele se mantém forte e vivo agora.

 

Rogério Correia

Deputado Estadual

Líder do PT na Assembléia Legislativa e do Movimento Minas Sem Censura 

Membro da Executiva Estadual do PT e da Coordenação estadual do Movimento Coerência Petista

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Comentários

  1. Gilvando Elen de Oliveira - 13 de novembro de 2011

    Sou petista e percebi naquela época, que essa aliança foi uma armadilha do PSDB comodada por Aécio com ajuda do companheiro Pimentel. Isso foi claro nas eleições do ano passado, pois como coordenador da nossa campanha Nacional nos municípios de: Sarzedo e Mario Campos tive dificuldade tanto para governo estadual quanto para Senador, inclusive com perseguições comodadas por Diniz Pinheiro do PSDB no município de Sarzedo; mas mesmo assim Pimentel só perdeu para Itamar com uma diferença de 100 votos e em Mário Campos que não teve tanta interferência do PDSB, Pimentel ganhou.Outra prova é o massacre feito a nós professores jogando bombas de gás e atirando balas de borrachas além de desrespeitar o nosso governo Federal no caso da lei do Piso Nacional.Por isso acho que a lição foi grande e chegou a hora de separar de vez dessa aliança maldita que só enfraqueceu nosso partido em Minas Gerais.
    Atenciosamente,
    Gilvando Elen de Oliveira.

  2. Cirlei - 13 de novembro de 2011

    Moro em Sete Lagoas, e que me entristece é ver o PT coligado com o PSDB. UMA VERGONHA PARA QUEM É PETISTA DE VERDADE!!!ONDE ESTÁ A IDEOLOGIA? Todos juntos e misturados?????

  3. MEL - 21 de novembro de 2011

    Nâo voto definitivamente em nenhum candidato que esteja coligado com o PSDB.Não existe mais ideologia partidária?

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