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Sem tréguas a golpistas! Fora, Aécio!

03/10/2017

PT precisa exigir urgência na cassação de Aécio pelo Senado. Criticar a decisão do STF de afasta-lo da Câmara Alta só serve para confundir a militância petista e de esquerda, repetindo erros do passado.

A nota pública do Diretório Nacional sobre o STF e Aécio é mais uma demonstração de incompreensão do golpe feito no Brasil. Um golpe que não apenas “foi”, mas “é”. Estamos falando de um processo longo. E que demonstra a atualidade da luta de classes como instrumento de análise e guia para uma verdadeira prática de esquerda.

Por Rogério Correia,
deputado do PT

A crise envolvendo o agora ex-senador Aécio Neves e o Supremo Tribunal Federal (STF) é responsabilidade do Senado Federal. Essa compreensão é fundamental para o PT, a fim de manter coerência com sua história e suas bandeiras, além de evitar desgastes absolutamente desnecessários.

A polêmica nota do Diretório Nacional do PT sobre o caso, pelo contrário, vai na contramão desse entendimento. Na prática faz a defesa do Senado, sob a ilusão da preservação do estado de direito. Protege assim um Senado integrado por ampla maioria golpista, por políticos que demonstraram ausência de qualquer respeito ao estado democrático de direito.

A intervenção do STF, determinando o afastamento de Aécio do Senado e seu recolhimento noturno, só ocorreu por absoluta omissão da Câmara Alta. De maioria golpista, os senadores protegeram o colega flagrado em áudio e vídeo pedindo propina. Optaram pela guarita a Michel Temer e seu governo de direita.

Por isso a necessidade de o PT exigir urgência na cassação do mandato de Aécio no Conselho de Ética do Senado. Trata-se de um corrupto que sequer nega o diálogo amoral que teve com o empresário também gatuno Joesley Batista. Pediu R$ 2 milhões e tampouco negou (nem poderia, pois foi gravado). Recebeu a grana, também provado em vídeo.

Aécio não é apenas um corrupto (a) moral. É um golpista, o que é tão grave quanto. A cada dia que passa, fica claro a todos o ridículo a que foi submetida a democracia brasileira pelo grupo de canalhas que tomou o poder. Canalhas liderados por Michel Temer, Eduardo Cunha e sobretudo Aécio Neves.

A posição petista tornada pública sobre o episódio com o STF é mais uma demonstração de incompreensão do golpe feito no Brasil. Um golpe que não apenas “foi”, mas “é”. Estamos falando de um processo longo. E que demonstra a atualidade da luta de classes como instrumento de análise e guia para uma verdadeira prática de esquerda.

É necessário enfatizar que a nota do Diretório Nacional do PT ignora dois aspectos: se nada fizesse o STF, Aécio continuaria livre, leve e solto, mesmo sendo pego com a boca na botija. Pois o tucano é sabidamente poupado por seus colegas de golpe. Além disse, a nota ignora a crítica real a ser feita ao Supremo e ao Judiciário em geral: seu extremo partidarismo, refletido na seletividade da Lava Jato e de magistrados espalhados pelo país, incapazes qualquer autocrítica para freá-la. A defesa de um estado democrático só virá a partir de uma Constituinte livre e soberana que inclua o real controle externo do Judiciário. Todo petista, de qualquer corrente, tem consciência desse partidarismo. O que ajuda a sublinhar o equívoco da posição externada pelo Diretório petista.

O modus operandi de Aécio e sua turma em Minas Gerais atesta isso perfeitamente. Foram 12 anos de construção da união das diversas esferas da elite do estado, convergindo repressão e isolamento dos movimentos sociais. Aécio, seguido depois pelo seu aliado Antonio Anastasia, reprimiu toda voz contrária nesse período — eu mesmo até hoje respondo a processos na Justiça apenas por solicitar investigações contra a turma do PSDB que governava Minas. Ao longo desses 12 anos, a direita uniu-se como poucas vezes, dando suporte ao famigerado choque de gestão, ao controle dos poderes, da Assembleia Legislativa ao Judiciário, passando pela repressão a vozes da mídia que não concordavam em dizer amém àquilo tudo.

Não é a primeira vez que alguns petistas subestimam Aecio e os tucanos mineiros. Todos recordarão o chamado “Lulécio”, quando candidatos do PT foram preteridos pelo apoio, disfarçado ou nem tanto, ao voto em Lula para presidente e Aécio para governador. Em seguida, na mesma lógica, segmentos do partido fizeram vistas grossas ao Dilmazia (Dilma e Anastasia). Também patrocinaram a desastrada união formal com Aécio, na candidatura e depois gestão de Marcio Lacerda na Prefeitura de Belo Horizonte.

Foram posições que, além de irem de encontro a posições históricas do PT, serviram, no campo tático, para confundir a militância do partido e a militância de esquerda em geral. Hoje, a posição explicitada pela nota do DN em relação mais uma vez a Aécio, traz de volta esse risco.

Não é possível subir em um ringue de boxe como se fôssemos dançar valsa. Não é possível subestimar tanto a luta de classes, marca indelével da história (Marx) e sobretudo evidente no Brasil das elites que golpeou a democracia e um governo popular.

Aos petistas, a história novamente reserva o nobre lugar de juntar-se aos seus aliados naturais, os trabalhadores do Brasil. Juntos, precisamos retomar as mobilizações populares. Manter-se na luta deve ser sempre o sentido da nossa atuação. Sem qualquer benevolência com os defensores da elite, com os apologistas dos golpes à soberania popular, com os ladrões que fazem carreira tirando dos pobres para construir patrimônio privado. Sem tréguas a Aécio Neves, o rosto do golpe!

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