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No caso dos “hackeres”, a vergonha maior é da Globo: Miriam Leitão e a solidariedade de interesse

Por Rogério Correia,
deputado federal (PT-MG)

Há cinco dias, Jair Bolsonaro resolveu investir contra a jornalista da Globo Miriam Leitão. Como sempre faz, o presidente da República valeu-se de notícias falsas e preconceitos para desferir um ataque desleal e mentiroso contra a profissional. Globo e Miriam receberam a solidariedade de quase todos os jornalistas do país, de entidades profissionais e de todos os que lutaram e lutam pela democracia no Brasil e no mundo.

Solidariedade justíssima, diga-se de passagem, e da qual também participei.

Cinco dias depois, qual a resposta da Globo a essa corrente solidária? Com ódio e desinformação. Calando-se ou em alguns casos até mesmo apoiando a campanha de difamação movida contra um jornalista famoso em todo o mundo e detentor dos principais prêmios internacionais conferidos à categoria. Difamação também movida a notícias falsas e preconceituosas divulgadas por toda espécie de gente na internet.

A Globo é a peça central na construção narrativa tentada por Sergio Moro no caso que culmina com a prisão de quatro hackers no interior paulista, no fim da tarde de ontem. Narrativa que menospreza os crimes explicitados nos diálogos publicados pelo The Intercept e seus parceiros na mídia, mudando o foco para possíveis “hackers” que teriam ilegalmente invadido a privacidade do ex-juiz e de procuradores da Lava Jato.

A expectativa dos quadros bolsonaristas é que o jornalista Glenn Greenwald termine preso, numa operação que seria improvável em qualquer país democrático mas é a esperada numa PF e em um ministério dirigidos por Sergio Moro. Prendam-se suspeitos, confinem-nos em celas, ameacem-nos com a detenção eterna e, no fim, acene a eles a redenção via delação. E assim Moro obterá o que precisar, como aliás ele e Dallagnol fizeram enésimas vezes ao longo da operação Lava Jato.

Seria como um fotógrafo preso ao tirar fotos de criminosos. Ou um escritor detido por escrever sobre a máfia. Seria como confinar a dupla Bob Woodward e Carl Bernstein, os jornalistas responsáveis pela divulgação do caso Watergate nos EUA, também valendo-se de fonte anônima.

Qual a posição da Globo sobre o assunto, sobre os ataques rasteiros a que é submetido diariamente um jornalista que ganhou o Pulitzer e o Oscar de Melhor Documentário? De absoluto e inescrupuloso apoio, demonstrando ser adepta de uma solidariedade interesseira (aquela que só vale quando me beneficia..).

Liberdade de imprensa? Não: o que a Globo está defendendo é apenas a liberdade da empresa para falar o que quer, mesmo que à custa de perder ainda mais credibilidade e de, daqui a alguns anos, novamente ser obrigada a pedir desculpas esfarrapadas e insinceras a todo o país.

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