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Improviso caracteriza ação contra a violência no Estado. Situação continua alarmante

Violência
Um homicídio a cada três horas
Ao todo, número de crimes violentos no Estado chega a 189 diariamente
Publicado no Jornal OTEMPO em 04/04/2012

RAPHAEL RAMOS, LUCIENE CÂMARA E GABRIELA SALES

A cada três horas, uma pessoa é assassinada em Minas Gerais. Esse é o quadro atual da violência no Estado, revelado ontem pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). Nos três primeiros meses do ano, foram registrados 959 homicídios pelas polícias Militar e Civil, uma média de 10,5 por dia. Os dados mostram uma crescente na criminalidade, em comparação com 2011, ano em que a média era de 10,2 mortes por dia. Apenas em março, foram 324 assassinatos.

Em relação aos crimes violentos, que além dos homicídios englobam roubo, extorsão, estupro e sequestro, foram 17.276 ocorrências entre janeiro e março – uma média de 189 crimes por dia. O terceiro item da pesquisa da secretaria trata de roubos e extorsão mediante sequestro. Os dados não são menos alarmantes. Foram computados pelo órgão 14,3 mil casos no primeiro trimestre deste ano. Isso significa que, a cada hora, seis pessoas, em média, são vítimas desses crimes.

O governo do Estado ressaltou que os dados da violência foram trabalhados em cima de uma nova metodologia de sistematização e de divulgação dos índices. A partir de agora, os dados apresentadas pela Seds são unificados, levando em consideração as estatísticas das polícias Militar e Civil, extraídas do Registro de Eventos de Defesa Social (Reds). Até então, os dados divulgados na maioria das regiões do Estado só levavam em conta as informações da PM – apenas agora, o sistema, que começou a ser implantado em 2003, passou a abranger 853 municípios mineiros.

A mudança compromete a comparação com dados anteriores, que só levavam em consideração as estatísticas da Polícia Militar. Segundo o especialista em segurança pública Robson Sávio, a unificação dos dados é o correto a ser feito, porém, avalia ele, não há ainda uma transparência no que diz respeito à análise dos dados. “Em relação aos homicídios, por exemplo, é divulgado o número de registros, mas não o de vítimas. Em um caso, pode ser que haja mais de uma pessoa assassinada”, afirma Sávio, que aponta um “desarranjo” na gestão da segurança no Estado.

Já o pesquisador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp), da UFMG, Luis Felipe Zilli diz que as informações deveriam ser mais completas, considerando áreas de incidência, motivação e circunstâncias, fatores que, segundo ele, são fundamentais para a construção de uma estratégia de prevenção.

Segundo Renato de Lima, secretário executivo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o aumento de crimes violentos em Minas é também consequência do fracasso no trabalho de integração das polícias. “O Estado segue uma tendência nacional, mas, se não conseguir reverter esse quadro de conflito entre as corporações, dificilmente terá êxito no combate à criminalidade”. A Seds informou que foram retomadas as negociações com a Fundação João Pinheiro para que a instituição volte a produzir o Anuário de Informações Criminais de Minas Gerais.

Barbárie
Três jovens mortos no São Gabriel


Foto: G1/REPRODUÇÃO


Cena do crime. Rua no bairro São Gabriel onde três adolescentes foram assassinados anteontem

Dois irmãos, de 14 e 16 anos, e uma menina de 14 foram mortos, no início da noite de anteontem, no bairro São Gabriel, na região Nordeste da capital. Segundo a PM, os três adolescentes estavam em uma área conhecida como “pastinho” quando dois homens chegaram atirando contra eles. Logo depois, a dupla fugiu em uma moto vermelha.

Até o fim da tarde de ontem, a polícia ainda não identificado os suspeitos. Uma amiga da família, que não quis se identificar, disse que a mãe da garota ficou em estado de choque. Vizinhos do local disseram apenas que escutaram os disparos, mas ninguém soube dar detalhes do crime. O jovem de 16 anos chegou a ser levado ao hospital Risoleta Neves, mas não resistiu. As outras duas vítimas morreram ainda no local.

Criminalidade
Divulgação marcada por atrasos e manipulações

A divulgação dos índices de violência em Minas é marcada por promessas não cumpridas e denúncias de manipulação. O governo ficou 13 meses sem anunciar as estatísticas, entre dezembro de 2010 e fevereiro deste ano, justamente no período em que Minas teve um salto 16% no número de homicídios.

Os dados só foram revelados em 29 de fevereiro deste ano, após reportagens de O TEMPO sobre a omissão dos índices e a maquiagem de boletins de ocorrência. Policiais civis e militares acusaram o Estado de forçá-los a adulterar os documentos, substituindo crimes violentos por outros de menor potencial ofensivo.

A partir das denúncias, o governador Antonio Anastasia prometeu divulgar os números mensalmente, entre 15 e 20. No entanto, as estatísticas de fevereiro, que deveriam ser divulgadas em março, só saíram na noite de ontem.
Belo Horizonte
Assassinatos crescem 13,11%
A média de homicídios em Belo Horizonte aumentou 13,11% nos três primeiros meses do ano, em relação ao mesmo período de 2011. Segundo a Divisão de Crimes contra a Vida, da Polícia Civil, foram registrados 207 assassinatos na capital neste ano, até o dia 31 de março uma média de 2,3 crimes por dia.

Os dados foram divulgados pela assessoria da Polícia Militar, que irá lançar, hoje, uma força-tarefa com a Polícia Civil, a Justiça e a prefeitura para tentar coibir a violência. A corporação não revelou os números absolutos de homicídios de 2011.

Ainda segundo o levantamento, a maioria dos casos ocorre “em consequência do tráfico de drogas, das deficiências sociais, do porte ilegal de armas e das ameaças de morte”. A maioria das vítimas, segundo a PM, são jovens, mas a proporção também não foi revelada.

E a média de homicídios deve subir mais. Em um intervalo de menos de quatro horas, entre as 20h e 0h de anteontem, foram registrados, na capital, seis homicídios, em bairros como São Gabriel, na região Nordeste, Casa Branca (Leste) e Jardim Alvorada (Noroeste). No mesmo período, outros dois ocorreram na região metropolitana. Nos três primeiros dias de abril, foram 11 assassinatos.

Análise. O atual momento vivido pelas polícias, após a recente troca no comandando das corporações, juntamente com a substituição do secretário de Estado de Defesa Social, pode ter favorecido ao crescimento no número de homicídios. É o que defende o filósofo Robson Sávio, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Para ele, há uma “certa desorganização” na gestão das forças policiais em Minas. “É preciso reorganizar as políticas públicas que estão sendo aplicadas para tentar conter esse aumento”.

A gestão e a efetiva integração entre as polícias Civil e Militar, além de ações de prevenção à criminalidade, principalmente juvenil, são apontadas pelo filósofo como caminhos para reverter esse quadro. (Gustavo Prado/Especial para O Tempo)

Força-tarefa sem ação definida
Principal medida será “intensificar” o trabalho que já vinha sendo feito

A força-tarefa anunciada ontem para tentar reduzir o número de homicídios em Belo Horizonte foi marcada por muito discurso e poucas ações práticas. A única medida apresentada durante evento em um campo de futebol no bairro São Gabriel, na região Nordeste da capital, com a presença de 60 viaturas e 150 PMs, é a intensificação, a partir de agora, das ações que já vinham sendo feitas até então pelas polícias Militar e Civil.

A operação conjunta foi divulgada um dia depois da publicação dos índices de assassinatos em 2012. Entre janeiro e março, 207 pessoas foram mortas na capital, 13% a mais que no mesmo período do ano passado (183).

O mote da força-tarefa das polícias é evasivo. “Várias frentes somando esforços desde a prevenção ostensiva, a investigação dos crimes culminando com a prisão dos autores, a repressão qualificada, ações de educação e promoção social”.

O secretário adjunto de Defesa Social, Robson Lucas da Silva, deu uma pista do que poderá ser feito, relacionando a criminalidade ao tráfico de drogas. “O fenômeno agora é que os traficantes estão digladiando entre si”. Já o comandante de policiamento da capital, coronel Rogério Andrade, disse que a força-tarefa “é para chamar toda a comunidade a dar um recado de proteção à vida”. A reportagem insistiu em saber alguma estratégia ou ação a ser adotada na força-tarefa. “Vamos intensificar as ações”, repetiu o coronel.

A capital mineira vem registrando aumento no número de homicídios ano a ano. Em 2010, foram 620 casos, ante 762 no ano passado – aumento de 22%. Os números podem ser ainda maiores, já que a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) passou a considerar, somente de fevereiro para cá, os assassinatos registrados pela Polícia Civil.

Para o pesquisador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp), da UFMG, Luis Felipe Zilli, a força-tarefa denota improviso no combate à criminalidade. “A definição de força-tarefa é utilizada para ações específicas, que precisam de uma solução rápida. O aumento dos homicídios não é nenhuma novidade e se combate com investimentos, principalmente em polícia científica”.

O presidente da ONG Defesa Social, Robert William, que esteve no evento, disse que a operação foi muito mais um marketing social do que uma ação efetiva. “Não se combate homicídio com força-tarefa, mas com policiamento preventivo nas ruas”.

Fonte: Jornal O TEMPO

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