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A ficha que demora a cair: Paulo Henrique morreu

A ficha demora a cair. No início, logo nas primeiras horas de hoje, achei que era mais uma daquelas fake news da direita. Mas desta vez não era. Paulo Henrique Amorim havia mesmo morrido.

Extremamente bem sucedido, Paulo Henrique poderia, a exemplo de muitos, curtir, acomodado, a fama e o berço esplêndido. Ele sabia que era um mestre na arte do jornalismo na TV, excelência obtida após anos de experiências virtuosas na Manchete, Globo, Band e Record. Ainda que sempre à frente dos principais projetos jornalísticos dessas empresas, não se furtou à polêmica e à crítica ao pensamento dominante de seus patrões.

Acabava, como se supõe, demitido por eles, os membros das poucas famílias que dominam a mídia corporativa no país. Mas nada que impedisse Paulo Henrique de, depois e em casa nova, voltar a dirigir suas afiadas observações críticas sobre o mundo dos poderosos no Brasil.

Nos últimos meses, essa independência cobrava caro. Perdeu o posto de âncora do Domingo Espetacular, um dos principais programas da TV Record. Bolsonaro e sua trupe, aproveitando-se da proximidade com os pastores da Universal, não escondiam a contrariedade com as frequentes e, pior, com as competentes críticas de Paulo Henrique ao governo e ao jeitão autoritário-fascista imprimido por Jair e companhia no Brasil.

O jornalista do “olá, tudo bem?” morreu na madrugada desta quarta-feira 10 de julho. Sem largar o batente. Sempre na luta: em seu blog, o queridíssimo Conversa Afiada, diariamente arremessava suas divertidas e afiadíssimas espetadas no status quo, não poupando poderosos como a Globo, as multinacionais ou os “canalhas”, “canalhas” e “canalhas” da nossa política. No Youtube, sua TV Afiada já chegava perto do milhão de inscritos (até este momento, 984 mil inscritos!). Atire a primeira pedra quem não sentia uma satisfação ao ver uma nova TV afiada na rede…

Compartilhei alguns momentos da vida ao lado do Paulo Henrique. Em Belo Horizonte, quando ele por um motivo ou outro estava na capital mineira, quase sempre nos encontrávamos. Numa de nossas últimas conversas, ele se mostrou “interessadíssimo” em meu projeto de consulta popular para a reestatização da Vale, a empresa vendida por FHC e responsável direta nos últimos anos por centenas de mortes em Minas Gerais. “Privataria”, dizia Paulo Henrique…

A ficha cai e, sim, Paulo Henrique Amorim morreu. Que 2019 complicado, hein? Mas que tenhamos força para manter a luta, com garras afiadas contra os ladrões da aposentadoria do povo brasileiro.

Por Rogério Correia,
deputado federal (PT-MG)

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