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Documentário denuncia precarização no setor elétrico

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O encontro integrou o cronograma nacional de lançamento do documentário “Dublê de Eletricista” – Foto: Guilherrme Bergamini

O documentário “Dublê de Eletricista”, que trata da precarização do trabalho gerado pelas terceirizações no setor elétrico brasileiro, foi lançado na noite da última sexta-feira (02) durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O encontro integrou o cronograma nacional de lançamento da produção, que chama a atenção para os altos índices de mutilações e mortes em acidentes de trabalho no setor.

Os dados que expõem os problemas do setor foram apresentados pelo deputado Rogério Correia (PT), autor do requerimento para a realização da reunião. Segundo ele, o índice de acidentes no setor elétrico é 5,5 vezes maior do que em outros setores da economia. Ele disse, ainda, que quase 60% dos trabalhadores do setor são terceirizados e, considerados os acidentes fatais, esses terceirizados morrem 3,4 vezes mais do que os efetivos.

O parlamentar também apresentou dados relativos à Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). De acordo com ele, 68% dos trabalhadores da concessionária são terceirizados, 21 deles teriam morrido em acidentes de trabalho entre 2010 e 2014, enquanto entre os servidores efetivos teria sido apenas um acidente fatal no mesmo período. O parlamentar também citou os nomes de trabalhadores mortos e mutilados em 2015.

“Esses acidentes e mortes são escolhas, e nós não podemos concordar com essas escolhas”, disse o diretor do Sindicato dos Eletricitários (Sindieletro-MG), José Henrique de Freias Vilela. Ele afirmou, ainda, que a entidade já tem uma proposta, que teria sido entregue à nova diretoria da Cemig, baseada na primarização do trabalho (redução dos contratos de terceirização). “Nossa proposta é viável e falta apenas ser implementada”, afirmou. Vilela afirmou também que o documentário está disponível na página da entidade.

A presidente da Central Única de Trabalhadores (CUT-MG), Beatriz Cerqueira, elogiou a iniciativa do vídeo, que, segundo ela, tira da invisibilidade a situação dos terceirizados. Ela lembrou, ainda, que o assunto esteve muito em pauta durante 2015, ano em que a Câmara dos Deputados discutiu projeto de lei que pretendia ampliar as possibilidades de terceirização em vários setores. “Espero que o documentário seja assistido pelos deputados que debocharam de nós quando viemos aqui falar do assunto, que nos trataram de forma desrespeitosa diante da nossa luta”, afirmou.

Documentário retrata história de um dos trabalhadores mutilados

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Lúcio Nery de Souza (à direita), que prestava serviços para a Cemig, sofreu uma forte descarga elétrica durante a manutenção da rede elétrica – Foto: Guilherrme Bergamini

O documentário “Dublê de Eletricista” mostra a história do eletricitário Lúcio Nery de Souza, que prestava serviços para a Cemig e se acidentou em 11 de abril de 2013. Morador de Patrocínio (Alto Paranaíba), ele sofreu uma forte descarga elétrica durante a manutenção da rede elétrica, fato que resultou na amputação de suas duas mãos e da perna esquerda. Aposentado por invalidez, Lúcio teve que acionar a Justiça contra a empresa em que trabalhava, a Eletro Santa Clara, que na época prestava serviço para a Cemig. O objetivo da ação é custear sua reabilitação, inclusive as próteses, e garantir o sustento da família.

Lúcio Nery esteve na reunião e emocionou os presentes com sua fala. “Que nossa história de sofrimento e mutilação se acabe. Tenho esperança de que alguns se levantem para que a minha história não se repita”, disse, enquanto o auditório se levantava e o aplaudia de pé.

O diretor e produtor Benedito Maia chamou a atenção para a presença de outros quatro trabalhadores mutilados que estavam na reunião. “Minas Gerais pode dar o exemplo e assinar o acordo de primarização da Cemig. Isso vai significar concursos e empregos de qualidade. Espero que o documentário ajude nesse caminho”, disse. O também produtor e diretor Carlos Machado afirmou que “filmar pode ser um ato político” e que isso se faz ao se dar voz aos personagens.

Consulte o resultado da reunião.

Fonte: ALMG

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