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Desisti de ser professor do Estado

Foto ilustrativa

Hoje tive o dia mais triste como professor. Não estou me referindo a nenhuma indisciplina ou necessariamente a baixo rendimento escolar de meus alunos. SOLICITEI A MINHA DISPENSA NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS e fui surpreendido pelos meus alunos.

Como sou muito exigente, muitas vezes coloco fardos pesados sobre meus alunos. Acreditava que a minha saída na transição dos bimestres seria encarada apenas como mais uma das tantas mudanças corriqueiras que ocorrem na Escola.

Estava enganado. Fui surpreendido pelo choro mais desolador que já vi em toda a minha vida. Minha maior tristeza foi pensar que eu poderia ser responsável por esse choro. Jamais pensei que meus ALUNOS DA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS fossem chorar por minha saída.

Preocupado com o que eu diria para eles como motivo, preferi a verdade. ESTOU SAINDO PORQUE NÃO CONSIGO ME SUSTENTAR NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS. Como são crianças, muitas não entenderam o que eu queria dizer e me responderam novamente com o choro mais desolador que já vi ou causei em toda a minha vida. “PROFESSOR NÃO NOS ABANDONE”!

A criança não entende a opção que nós professores fazemos quando abandonamos a sala de aula. Uma de minhas alunas gritou: “Vou me mudar para a escola onde o senhor vai continuar como professor”.

Nessa hora engasguei o choro e me perguntei como poderia ser isso? Se a maioria de nós no Brasil e na REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS não dispomos de recursos para bancar o ensino privado. Algumas crianças se puseram na porta e tentavam impedir minha saída, sem palavras e assustado com o choro e o pedido de que não as “abandonasse”, restou-me recolher na solidão de meu objetivo racional e deixar a sala com crianças chorosas como nunca vi a se despedirem com o olhar que jamais esquecerei, do professor que NÃO CONSEGUIU SE SUSTENTAR NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS.

Eu poderia recolher-me na vaidade, em pensar que sou um bom professor e que vou conseguir o melhor para mim. Entretanto, sei que hoje a exemplo do que ocorreu comigo, DEZENAS DE OUTROS PROFESSORES DEIXARAM A REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS POR NÃO CONSEGUIREM SE SUSTENTAR, ASSIM COMO TAMBÉM DEZENAS DE CRIANÇAS CHORARAM AO SE DESPEDIREM DE SEUS PROFESSORES.

Resta-me na revolta implorar a todos os mineiros e brasileiros que lerem essa carta. PELO AMOR DE DEUS! NÃO ACREDITEM NA EDUCAÇÃO FAZ DE CONTA DO GOVERNO DE MINAS GERAIS. O ESTADO FAZ DE CONTA QUE REMUNERA SEUS PROFESSORES, PROFESSORES INFELIZMENTE FAZEM DE CONTA QUE ENSINAM, ALUNOS FAZEM DE CONTA QUE APRENDEM E ATORES GLOBAIS FAZEM DE CONTA QUE FALAM DA MELHOR EDUCAÇÃO DO PAÍS. O episódio dessa carta ocorreu NO DIA 18 DE ABRIL DE 2013 NA ESCOLA ESTADUAL BARÃO DO RIO BRANCO EM BELO HORIZONTE. Infelizmente ocorreu também em dezenas de Escolas do Estado de Minas Gerais.

ENQUANTO O GOVERNO DE MINAS PAGA MILHARES DE REIAIS A ATORES GLOBAIS PARA MENTIREM SOBRE A EDUCAÇÃO NO HORÁRIO NOBRE, NOSSAS CRIANÇAS CHORAM OS SEUS PROFESSORES QUE ESTÃO SAINDO PORQUE NÃO CONSEGUEM MAIS SE SUSTENTAR NO ESTADO.

Prof. Juvenal Lima Gomes
EX-PROFESSOR DA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS

 

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Comentários

  1. anisio - 19 de Abril de 2013

    Sem comentarios, mas não resisto sem dizer , Pobre do País que não investe na educação , que é onde está a maior riqueza, para que o País cresça mais sustentavel

  2. Maria zelia almeida camerini - 19 de Abril de 2013

    Verdade nua e crua!Parabéns professor por sua coragem em explanar com todas as letras ,toda a verdade que ora se faz presente em Nosso estado de Minas Gerais, em relação a “carreira dos professores” que hoje está ao rés do chão,…..Só está bem nas propagandas milionárias,feitas pelos artistas, que ganham para prestar este serviço……….

  3. Regina Pessoa - 20 de Abril de 2013

    NOSSA! Esta me fez chorar e pensar na impossibilidade de eu fazer o mesmo! Vou me aposentar este ano e sem ajuda dos meus filhos eu não dou conta nem de manter meu tratamento de saúde e comprar meus remédios. NÃO TENHO MAIS TEMPO DE RECOMEÇAR,quem tiver que o faça.Boa sorte EX-professor !!!

  4. Maria de Fátima Pereira de Souza - 20 de Abril de 2013

    Eu nem tenho palavras para me expressar nesse momento, é deverasmente lastimável, mais um que se vai.

  5. Clarice da Consolação Ferreira - 20 de Abril de 2013

    Também abandonei a profissão. É um absurdo o que recebemos como salário.Amo a EDUCAÇÃO.Mas tem horas que temos que optar.Viver ou morrer, por tantas coisas que estamos vivendo nas escolas e ainda este salário, que é ridículo.

  6. Jaime Francisco de Oliveira - 21 de Abril de 2013

    Até quando vamos ser covardes e não reagir. Está situação esta prestes a acontecer comigo..

  7. Tiago - 21 de Abril de 2013

    Triste, realmente, triste. Desde quando me conheço por gente ouço a ladainha da educação redentora: “sem escola de qualidade não há nação que se preze”. Às vezes essa verborragia transcende a retórica dos políticos e a doçura das conversas cotidianas até chegar a mídia. Remeto a um comercial, que figurava nas telinhas, sobre a profissão mais importante dentre às inúmeras também honrosas. Em línguas distintas as personagens se exprimiam em alto e bom som: “o professor”, “le professeur”, the teacher”, e por aí ia. Mas há algo de muito incongruente. Seja deliberadamente perverso ou um abandono inconsciente da razão – não importa! – o fato é que os meios nada é realizado para promover uma educação de qualidade, exceto por alguns que vivem a dar murros e mais murros em ponta de faca. Nós, professores, estamos cansados de panegíricos e rogamos por políticas reais. Estamos cansados de belas palavras, desejamos a elevação de nossa profissão e do patamar cultural deste país. Somente estaremos satisfeitos no momento em que ninguém precise mais nos exaltar mediante discursos demagógicos. A demagogia não cabe ao que corre bem. A demagogia da educação redentora acabará assim que a educação realmente for redentora. Estamos longe disso!

  8. Arthur - 21 de Abril de 2013

    É triste ver como a educação é tratada no Brasil, enquanto nos outros países incentivam alunos a estudarem. Brasil, UM PAÍS DE BURROS!

  9. Zelia Maria - 21 de Abril de 2013

    Essa,com certeza, foi mais uma derrota,dentre tantas,para a Educação Estadual da nossa querida Minas Gerais!Se eu fosse mais jovem tb faria o mesmo,mas aconselho a todos os meus colegas professores mais jovens para que não permanecam nesse” barco furado”,e fico com minha consciência tranquila,porque sei que estou fazendo o bem para eles, para que mais tarde não fiquem iguais a mim,revoltada,frustrada e me sentindo um lixo,porque é assim que eu me sinto como professora estadual aposentada!
    Dep.Rogério, vc que representa a nossa classe tão bem ,gostaria que esse desabafo do professor Juvenal fosse divulgado nas redes sociais.Todos nós precisamos fazer a nossa parte!Eu vou publicá-lo na íntegra nos comentários do Jornal O Tempo,no Facebook,tb vou sugeir ao Sind-Ute para q faça o mesmo!
    Grata pela atenção!

  10. Branca - 22 de Abril de 2013

    Professor, compreendo perfeitamente suas palavras. Sou professora e sei o quanto mal remunerados e desvalorizados somos pelo governo do nosso estado. Não basta amar o que fazemos. Temos família, despesas e amor não paga contas.

  11. Darcio Cardoso De Matos - 23 de Abril de 2013

    De verdade, eu nem sei o que te falar … estou cursando Educação Física Licenciatura … meu sonho é voltar pra sala de aula .. e na verdade isso me assusta e muito porque as pessoas que estão fazendo algo por amor mesmo veem que não tem como, e nós que estamos começando agora ?
    Acho que isso precisa de uma solução urgente, e nós mesmo que somos os mais interessado que devemos correr atrás disso !
    :((

  12. Andréa - 4 de Maio de 2013

    Infelizmente se for feita uma pesquisa nas escolas, muitos querem desistir! O governo de Minas que menos valorizou o professor é o atual! Foi cruel, acabando com nosso plano de carreira, biênios, quinquênios, não cumpre a lei do pagamento do piso salarial e ainda afirma que cumpre, criando uma tabela de subsídio para enganar a todos! É revoltante! Nas escolas, professores desgastados, sobrecarregados com um trabalho muito mal feito de avaliações de PAAE, PIP, SIMAVE, PROEB, e ainda a AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO, entre outros… E com tudo isso a educação em Minas está cada vez pior! Investir no professor é o caminho: valorização e capacitação! Mas o professor é o menos importante! Se eu pudesse desistiria hoje, como meu companheiro de profissão. Quando comecei a lecionar, me deslumbrei com a carreira e hoje é uma decepção! Que Deus olhe por nós e seja justo com aqueles que enganam, mentem e não cumprem sua função dignamente na política, ou em qualquer outro setor do serviço público!

  13. Prof. Geraldinho Corrêa - 19 de Fevereiro de 2018

    A educação em Minas Gerais é tratada da mesma maneira faz décadas. Lecionei na Escola Estadual São Rafael em 1991/92. Tíve estudantes interessados (cegos ou “videntes”) que iam a escola com gosto e colegas professores esforçados e estudiosos mas que aos poucos iam se “desgostando” e desistindo. De maneira explícita ou velada. Eu fui um dos que deixei. Fiquei quatro meses trabalhando sem receber (a demora da época para implementar o “masp”) entre outros tantos “maus tratos”. Constato tristemente que a educação pública mineira passou por vários governadores e que o desgovernador FDP que hoje está aí – com apoio da CUT e do Sind UTE – trata a educação da mesma forma hipócrita e violenta que em 2013 quando o professor Juvenal escreveu a sua carta. A verba de propaganda continua um descalabro, as contratações de aspones atinge níveis pornográficos e a qualidade cai vertiginosamente. O quadro só faz piorar , mesmo se alguns querem nos fazer crer que ter uma secretária negra, professora e mulher é um avanço por si só… É doído ver que professores, estudantes e comunidades elegeram e ainda elegem deputados, vereadores e outros políticos, mas que esses por sua vez não “elegem” a educação como prioridade. A roda de moer gente continua e a massa de manobra continua balançando bandeiras para seus algozes. Outubro vem aí…

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