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Deputado Rogério Correia contesta governador Zema: “Votarei contra a reforma da Previdência”

Recebi nesta segunda 8 de julho uma carta assinada por Romeu Zema. Nela, o governador de Minas pede meu apoio à reforma da Previdência enviada por Jair Bolsonaro ao Congresso e a inclusão das aposentadorias dos servidores públicos estaduais e municipais.

Antecipo meu “não” a essas duas questões levantadas pelo governador: votarei contra e não acho justo jogar o peso da atual crise sobre os ombros dos servidores de Minas e das cidades do estado.

A crise econômica em Minas Gerais tem suas origens, mas isso o governador faz questão de esconder. Definitivamente, o servidor público não está entre os culpados, como sugere Zema. A falta de arrecadação do estado é que agravou a situação. Nos últimos anos, venderam-se várias de nossas estatais e bancos, renegociações de dívida ineficazes, “choques de gestão” que não resolveram o problema e, sobretudo, aprovou-se uma Lei Kandir que retirou bilhões dos cofres públicos – segundo especialistas, somente com a Lei Kandir Minas deixou de receber R$ 135 bilhões.

Jogar sobre as costas do servidor público é, portanto, equivocado. O caminho é outro, até porque a crise seria ainda mais grave caso propostas como o fim da educação de tempo integral ou a garantia de segurança nas escolas virem realidade, como propõe Romeu Zema. Reduzir a prestação de serviços aos mais pobres nunca é solução, mas sim promover uma reforma tributária que cobre de quem pode pagar mais.

A reforma de Bolsonaro defendida pelo governador de Minas joga a crise sobre os trabalhadores – muitos não conseguirão aposentar ou, se muito, terão benefícios muito menores. Além disso, ela piora a situação sobretudo dos municípios de Minas, vários deles muito dependentes dos benefícios previdenciários recebidos por seus cidadãos. A aprovação da reforma previdenciária certamente criará um caos de difícil superação nessas cidades.

Minha sugestão é que o governador encare a realidade dos fatos e proponha um debate conjunto envolvendo a Assembleia Legislativa, os sindicatos, associações e a população mineira em geral. Daí surgirá algo efetivamente novo e que vá além de simplesmente referendar a proposta de reforma apresentada por Bolsonaro, que sabidamente traz muitos malefícios para a população mais pobre.

Meu gabinete aqui em Brasília já está debatendo saídas para Minas Gerais. Mas são saídas que visam à melhora do sistema educacional, valorizando as trabalhadoras e os trabalhadores da área, bem como da saúde pública. Jamais abriremos mão do papel fundamental do estado na melhoria da vida do povo apenas para agradar aos setores financeiros e grandes empresários. Coerentemente com o programa que defendi em campanha e ainda defendo como deputado eleito, votarei contra a reforma da Previdência. É questão de princípios: não contribuirei para jogar o peso da crise financeira de Minas e do Brasil sobre os ombros dos servidores estaduais e dos trabalhadores em geral que vão e precisam se aposentar.

Cordialmente,

Rogério Correia,
deputado federal (PT-MG)

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