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Cemig admite que falha em sistema causou eletrocução

Deficiência
Cemig admite que falha em sistema causou eletrocução
Empresa culpou o trânsito por ter demorado seis horas para atender ocorrência

Publicado no Jornal OTEMPO em 13/10/11

FOTO: ÂNGELO PETTINATI

Reparos. Equipes ainda trabalhavam ontem para restabelecer fornecimento

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) admitiu ontem que o sistema de energia falhou ao não provocar a interrupção imediata da eletricidade de um cabo que se rompeu durante a chuva de anteontem matando um motociclista, no bairro Prado, na região Oeste da capital. “Essa é uma dificuldade tecnológica que todas as concessionárias de energia do Brasil e de outros países têm. É uma característica do sistema”, afirmou o superintendente de relacionamento comercial com o cliente, Ricardo César Rocha. A empresa explicou ainda que “nem sempre” é possível garantir o corte da energia nessas situações e ainda não há solução para o problema.

O vendedor Gleison Wilson de Souza, 38, foi eletrocutado ao passar pelo fio de alta tensão que estava caído na rua por mais de três horas. A empresa mineira demorou seis horas para atender aos diversos chamados feitos por moradores da região avisando do perigo. O corte de energia de todo o bairro só foi feito após a constatação do acidente que tirou a vida de Souza. A Cemig culpou as complicações no trânsito por não ter conseguido acessar o local mais cedo, o que teria evitado a tragédia.

O superintendente afirmou ainda que não é preciso aumentar o número de técnicos para manutenção do sistema. “O fato de ontem foi isolado”, disse. De acordo com a empresa de energia, havia 200 equipes nas ruas atendendo às ocorrências originadas da chuva e foram registrados 157 chamados de cabos partidos. “Além do grande número de ocorrências emergenciais, inclusive em hospitais sem energia, nossas equipes tiveram dificuldade de chegar ao bairro por causa do trânsito”, afirmou Rocha. A companhia também atribuiu os problemas de anteontem à “tempestade” ocorrida na capital, “com ventos de 80 km/h, que provocaram quedas de árvores e grande volume de chuva”.

Blecaute. O apagão que afetou quase 2,3 milhões de pessoas em Minas após apenas meia hora de chuva nas regiões metropolitana de Belo Horizonte e Central do Estado, de acordo com a Cemig, foi o maior dos últimos cinco anos. Segundo Rocha, apesar de a companhia ter um “sistema de proteção seguro”, um raio caiu sobre uma das linhas de transmissão, provocando o desligamento de vários circuitos no Estado.

O problema será alvo de uma reunião na próxima segunda-feira com a participação de representantes da Cemig, Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Ministério de Minas e Energia e Operador Nacional do Sistema.

FOTO: JOÃO GODINHO

Telma Rosa e Elisângela Venâncio foram prejudicadas pela falta de luz
Apagão
Sem energia, moradores têm que improvisar
Na manhã de ontem, cerca de 12 mil moradores da capital e da região metropolitana ainda estavam sem energia elétrica. À tarde, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) informou que o blecaute ainda continuava nas casas de 2.500 consumidores. A previsão era que o serviço fosse normalizado até a madrugada de hoje.

No bairro Santa Tereza, região Leste da capital, a luz foi embora após uma árvore cair e danificar a fiação elétrica na rua Dores do Indaiá. Em seguida, um carro foi atingido pelo tronco. O condutor não ficou ferido.

A enfermeira Elisângela Cristina Venâncio teve que ir até o bairro Saudade, na mesma região, para tomar banho na casa de um amigo. Além de toalha e sabonete, levou com ela a vizinha Telma Rosa. “Temos criança e idoso no prédio. Um vizinho perdeu insulina. Tivemos bastante prejuízo”, reclamou Elisângela. (Rafael Rocha)

Acidente em trio foi usado como exemplo
O acidente com fios de alta tensão em Bandeira do Sul, no Sul do Estado, que provocou a morte de 16 pessoas em um trio elétrico, no Carnaval deste ano, foi parecido com o que aconteceu no bairro Prado, na capital, de acordo com a Cemig. No primeiro caso, conforme a empresa, a energia foi cortada 3 segundos depois do curto-circuito porque os fios estavam em contato com uma superfície condutora de eletricidade, o veículo.

O superintendente de relacionamento comercial com o cliente da companhia, Ricardo Rocha, explicou que, no acidente de anteontem, a energia não foi desligada porque o fio caiu sobre o asfalto, que é uma superfície isolante. Por isso, conforme a empresa, o rompimento não foi detectado.

Em Bandeira do Sul, o Ministério Público concluiu que a causa das mortes foi acidental. Ninguém foi responsabilizado criminalmente. (JS)

Riscos
Equipes da Defesa Civil de Belo Horizonte continuaram ontem os trabalhos de vistoria em imóveis que foram afetados pelas chuvas de anteontem. Os funcionários visitaram 24 endereços nas regionais Barreiro, Oeste, Noroeste e Venda Nova, mas nenhuma moradia precisou ser interditada. Em toda a cidade, 14 árvores foram retiradas pela prefeitura.
Chuvas
A chuva esperada ontem em Belo Horizonte acabou adiada para hoje. Segundo informações do meteorologista Heriberto dos Anjos, do Centro de Climatologia PUC Minas TempoClima, pode chover em áreas isoladas da capital na tarde de hoje. A região Central deve apresentar nuvens, mas pancadas de chuva mais fortes devem acontecer só nas regiões Sul, Triângulo, Noroeste e Oeste de Minas.

teste teste teste

FOTO: Redprodução

Tristeza. Gleison Wilson de Souza era casado e tinha quatro filhos; família deve pedir indenização à Cemig

Tragédia

“Pedi para ele não sair de casa”

Vítima sustentava a família vendendo amendoins; Cemig avalia indenização

Tâmara Teixeira

Como se estivesse com um pressentimento de que algo ruim estava para acontecer, a mulher do motociclista Gleison Wilson de Souza, 38, a dona de casa Alessandra dos Santos Ribeiro, 35, pediu ao marido que não saísse terça-feira para trabalhar. Ontem, chorando, Alessandra afirmou que o companheiro, que há 31 anos vendia amendoim, disse que precisava sair para ter o dinheiro e poder comprar o presente de Dia das Crianças para os quatro filhos do casal.

Por causa de uma falha no sistema e da demora da Companhia Energética de Minas (Cemig), Souza morreu eletrocutado ao ser atingido por um fio de alta tensão que caiu devido à forte chuva que atingiu Belo Horizonte na última terça-feira. O acidente aconteceu no bairro Prado, região Oeste da capital, por volta das 19h30. Três horas antes, os moradores da rua já haviam comunicado o rompimento do fio à Cemig.

O enterro do vendedor de amendoins será hoje, às 10h, no Cemitério Bom Jesus, em Contagem, na região metropolitana da capital.

Ontem, na casa da família de Souza, em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, sua mulher estava inconsolável. Alessandra lamentou a tragédia que, para ela, poderia ter sido evitada. “A gente não conhece os planos de Deus, mas não gostaria que isso tivesse acontecido. Se os moradores avisaram à Cemig do fio partido, alguma coisa devia ter sido feita para evitar a morte do meu marido ou outro acidente qualquer”, afirmou Alessandra.

A mulher se disse preocupada com o futuro da família, já que o marido era responsável por todas as despesas da casa e pelo aluguel. A família deve pedir uma indenização à Cemig. Souza fazia os amendoins durante o dia com a mulher e, à noite, saía para vender o salgadinho em bares e em casas na região do Prado.

Uma das filhas do casal, Jéssica Keila, apresentava uma calma impressionante. “Quando a gente estava triste, nos reuníamos na sala e ele fazia a maior festa para alegrar todo mundo”, relembra.

Indenização. A Cemig informou ontem que irá prestar assistência à família e que uma possível indenização será avaliada. A companhia se propôs a pagar os custos com o enterro, mas a igreja evangélica frequentada pelo casal arcou com as despesas.

Tragédia deixou moradores inconformados
A força da descarga elétrica que causou a morte do motociclista Gleison Wilson de Souza, 38, foi tão forte que o corpo dele foi arremessado de um lado ao outro da rua Montenegro, no bairro Prado, região Oeste da capital. Testemunhas que viram a cena ficaram chocadas. “Ele deu um grito tão apavorante que toda a vizinhança escutou”, disse uma moradora.

Indignada, ela reclamou do tempo que a Cemig levou para chegar ao local. “Só vieram seis horas depois da solicitação”. A companhia alega que recebeu um grande número de chamados em Belo Horizonte. (Rafael Rocha)

Minientrevista


“Já estava tudo preparado (para o Dia das Crianças). Íamos passear no parque

Alessandra dos Santos
Mulher de Gleison

Como o Gleison saiu anteontem para trabalhar?

Eram 17h30. Já havia caído a chuva forte. Mas eu disse, três vezes, para ele não ir. Ele me respondeu “querida, não se preocupe”. Disse que precisava ir para vender e poder comprar o presente do Dia das Crianças para os filhos. Já estava tudo programado. Íamos passear no parque hoje (ontem).

Que horas a senhora foi informada do acidente?

Os policiais vieram aqui às 3h19. Eles me mostraram a carteira de habilitação e contaram da morte.

Como a senhora deu a notícia aos seus filhos?

Minhas filhas (de 15 e 16 anos) ouviram os policiais falando. Hoje (ontem) de manhã, chamei os meninos (de 6 e 12 anos) e contei uma historinha. Disse a eles que as pessoas são como as plantinhas que nascem, crescem, dão frutos e depois morrem. Disse a eles que a maior plantinha aqui de casa tinha morrido. Eles choraram. (TT)

Fonte: O Tempo

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