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Bolsonaro incita a violência no período eleitoral

Denúncias foram feitas em audiência na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas. Rogério lembrou dos ataques do clã de Bolsonaro ao Judiciário e às pessoas que pensam diferente dele.

A maioria dos presentes manifestou a opinião de que o candidato Bolsonaro estaria incitando a violência contra oponentes políticos e ameaçando as instituições democráticas do país. O deputado Rogério Correia (PT) mostrou vídeo do candidato, publicado nas redes sociais no último domingo (21), no qual ele diz que fará uma “faxina” no País ao banir os oponentes, que chamou de “bandidos vermelhos”.

No mesmo vídeo, ele atacou o jornal Folha de São Paulo, que recentemente publicou matéria sobre irregularidades na campanha do candidato do PSL. Rogério Correia também lembrou da manifestação do filho do candidato, Eduardo Bolsonaro, que afirmou que bastaria um soldado e um cabo para fechar o Supremo Tribunal Federal (STF).

As ideias de que professores seriam “doutrinadores”, de que as escolas estariam distribuindo os chamados “kits gay” e de que é preciso acabar com a educação no campo porque ela seria hoje conduzida pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) foram listadas pela professora Beatriz Cerqueira, eleita deputada pelo PT para a próxima legislatura, como agressões aos educadores. Ela destaca que são todas falsas, que o kit gay nunca existiu e que as escolas públicas não são locais de doutrinação, mas de reflexão.

“Essas informações são falsas e representam uma violência aos professores”, afirmou. Ela, assim como os demais presentes, ressaltaram a necessidade de que os órgãos responsáveis, especialmente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tomem providências contra as violências citadas ao longo da reunião.

Não só violências simbólicas, como as citadas por Beatriz Cerqueira, foram lembradas ao longo do encontro. O assassinato do capoeirista Moa do Katendê em Salvador no dia do 1º turno do pleito eleitoral foi lembrado pelo presidente da comissão, deputado Cristiano Silveira (PT), que solicitou o debate.

Ele mostrou várias matérias em jornais que tratavam de denúncias de violências motivadas por opiniões políticas. Uma delas, da Agência Pública, disse que foram registrados pelo menos 50 ataques por motivos eleitorais ao longo dos dez dias depois do 1º turno, seis delas contra apoiadores de Bolsonaro e 29 contra eleitores do outro candidato, Fernando Haddad (PT).

Jornalista e evangélica citam violências contra grupos que elas representam

Entre as violências observadas em Minas Gerais, estão as citadas pela presidenta do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, Alessandra Mello. Ela destacou, por exemplo, as ameaças sofridas à profissional paulista que fez matéria sobre disputa judicial de Bolsonaro com a ex-esposa. Ela teria sido ameaçada de morte. “Como a maioria dos jornalistas são mulheres, os ataques são misóginos em geral. Me desculpem as expressões, mas é assim que nos chamam, de putas, de vagabundas, de prostitutas. Uma profissional do nordeste foi ameaçada de estupro, é assim que nos atacam. Mas não vão nos calar, não vamos sair das redações”, disse.

O uso dos púlpitos das igrejas para fazer campanha eleitoral, como tem sido denunciado, também foi classificado como violência pela representante da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, Renata Campos Bragança. Ela disse que isso retira das pessoas o direito ao culto religioso ao gerar constrangimento àqueles que têm outro posicionamento político. Ela citou, ainda, que foi intimidada ao tentar distribuir panfletos sobre cristianismo e eleições em frente à Igreja Universal do Reino de Deus.

Outros casos

Muitos dos presentes pediram a palavra no fim da reunião e citaram as violências sofridas. Alguns teriam sido agredidos durante as manifestações contra Bolsonaro. Houve casos de ameaças também contra negros e mulheres em vias públicas.

Observatório da Violência Política se reúne na ALMG

O representante do Fórum Mineiro de Direitos Humanos e da Comissão da Verdade de Minas Gerais, Robson Sávio Reis, disse que é fundamental que as polícias e os demais órgãos, como Ministério Público e Defensoria Pública, exerçam seu papel para prevenir que as violências ocorram.

Ele lembrou que o Brasil tem um problema de violência estrutural, com um alto índice de homicídios e que as vítimas são, em sua maioria, pobres e negros. A diferença agora seria que a violência está sendo autorizada. “E quem defende essa política belicosa baseada na autorização de matar precisa saber que também pode morrer”, disse.

O Observatório da Violência Política de Minas Gerais, que reúne diversas entidades sociais, tem se encontrado semanalmente na ALMG. “É importante nos organizarmos para reagirmos a essa liderança que compromete a democracia do nosso País”, disse a parlamentar ao acusar o candidato Jair Bolsonaro de incitar as agressões que vêm acontecendo. Ela afirmou que, independentemente do resultado das urnas, essa organização será essencial para manter a democracia no País.

O representante da Polícia Civil, Aloísio Daniel Fagundes, disse que a corporação trabalha para preservar a ordem democrática e combater qualquer tipo de intolerância. Ele afirmou que é preciso confiar na maturidade das instituições, que atuarão, segundo ele, para frear atos não democráticos.

Alguns dos presentes ressaltaram que vão resistir aos ataques à democracia. “Bolsonaro pode ganhar com 55% dos votos, mas seremos os outros 45% do outro lado. Nós vamos resistir”, disse o vice-presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Romualdo Alves Ribeiro. O deputado André Quintão (PT) também usou o mesmo tom. “Não vamos abrir mão da democracia, não vamos abrir mão da nossa cidadania, não vamos abaixar as nossas cabeças, não vamos sair do País”, disse.

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