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Bolsonaro, bravo ou covarde?

Por Rogério Correia,
deputado federal (PT-MG)

Jair Bolsonaro gosta de uma briga. Provoca algumas. Posa de bravo. Lembra aqueles pré-adolescentes de 13 anos que tentam impressionar dando de valentão. Aqueles que caçam briga com o menino da antiga 5ª série, mas afinam quando este chama o irmão da 8ª para defendê-lo.

Bolsonaro fala grosso com jornalistas. Reclama da imprensa. Diz até que ser criticado por ela é bom sinal. Bravo, né? Ao mesmo tempo, faz acordos a portas fechadas com os patrões dos repórteres. É tigrão com o jornalista independente do SBT e é tchutchuca com Silvio Santos. Enquanto chama a Miriam Leitão de mentirosa, mostrasó delicadeza com a família Marinho. Trata mal os que recebem salário na Record e faz acordos com o bispo Edir Macedo.

Ele despreza os estados do Nordeste brasileiro enquanto estimula as redes milicianas em São Paulo e Rio. Adora falar mal da Venezuela, de Cuba, do Irã… E revela uma subserviência jamais vista quando “conversa” com os Estados Unidos e seu presidente Trump. Na cúpula do G20, há cerca de 20 dias, as imagens de um Bolsonaro incomodado entre os líderes mundiais correram mundo. Nitidamente, o “comandante” brasileiro era um estranho no ninho, parecia não ter ideia do que fazia ali. Foi constrangedor.

O presidente dá flores a empresários como o tal Luciano Hang, dono da Havan, um milionário devedor de impostos no Brasil. Ao mesmo tempo, distribui pontapés aos trabalhadores, tentando jogar-lhes uma reforma contra suas aposentadorias que nem o inacreditável Michel Temer teve coragem de defender.

Não me lembro de ter alguma vez visto ou ouvido Jair Bolsonaro contrariar, mesmo que de leve, algum banco. Pelo contrário, escolheu um representante deles para o Ministério da Economia e abraça exatamente as mesmas propostas defendidas por eles. Ao mesmo tempo, Bolsonaro diariamente faz pose de valente para alguma categoria de trabalhador ou alguma minoria social ou econômica.

Indo mais além, talvez seja por essa razão que ele e seus seguidores mais fanáticos odeiem tanto o ex-presidente Lula. É como aquele “valentão” em frente aos meninos menores mas que faz xixi na calça quando chega um do tamanho dele — ou, no caso do Lula, quando chega um bem maior, mais forte e inteligente. Por isso o prêmio a Sergio Moro, dando um ministério ao juiz que desafiou a Justiça e a falta de provas para prender o “inimigo” mais temido.

É medo que chama. Ou covardia. Ou os dois: Jair é um medroso e um covarde. A cara de bravo não precisa enganar ninguém…

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