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Aécio e Moro

Por Rogério Correia

Eles são cada vez mais raros, mas ainda há aqueles que defendem fervorosamente o ex-juiz Sergio Moro. Nos meus perfis nas redes sociais, de vez em quando aparece um ou outro me aconselhando a parar as críticas contra o ministro da Justiça. Mandam-me “trabalhar”. Dizem que “defendo corrupto”. Aconselham-me a deixar a “fofoca” de lado…

Já estou acostumado com isso. E digo que é impressionante a semelhança de argumentos entre os que hoje defendem Sergio Moro e os que ontem defendiam Aécio Neves. Talvez a amizade entre eles não seja apenas coincidência e por isso lembrei esses laços ao ministro, durante audiência na Câmara. Moro ficou nervoso à toa…

Não foi fácil denunciar Aécio Neves. Na época , ele era o todo poderoso governador em Minas, apoiado por nove de dez órgãos de imprensa, pela maioria dos políticos e com tentáculos poderosos nos meios empresarial, jurídico, esportivo etc.

Ameaçaram meu mandato de deputado estadual eleito pelo PT. A revista Veja chegou a dedicar capa ao assunto, também “me denunciando” por ter criado uma suposta “falsa” Lista de Furnas.

Demorou, mas hoje sabemos quem tinha razão. Não apenas a Lista de Furnas se mostrou verdadeira, como também outras denúncias que apresentei (as propinas na Cidade Administrativa, por exemplo). Aécio só não foi punido porque conta com amigos poderosos, o principal deles o atual ministro da Justiça (aliás, viram nas revelações do The Intercept como Moro ficou irritado ao saber que a PF divulgara planilhas que provavam a relação da Odebrecht com Aécio?).

Com Sergio Moro as coisas não são tão diferentes. Os fanáticos do ex-juiz, sejam considerados por ele “tontos” ou não, também vêm cheios de certezas e dispostos a bater. Reclamam, falam, choram, até ameaçam…

Que bobagem… Sergio Moro repete, a seu modo, a trilha de Aécio Neves. Inclusive na cegueira de seus seguidores. Sim, os aecistas eram tão fanáticos quanto hoje são os “moristas”. Demoraram a aceitar a realidade sobre seu herói de barro. Também gritavam, reclamavam, mandavam-me “trabalhar” (como se ao denunciar Aécio eu não estivesse exercendo minha função de parlamentar)… Mas enfim curvaram-se para a realidade e desistiram. Não dava mais para defender Aécio, Andrea e toda a família Neves.

É o mesmo destino de Sergio Moro no futuro. Defendo sua imediata renúncia a despeito de um ou outro protesto de algum “morista” fanático. Alguns ainda fazem barulho. Mas estão fadados a ser como aecistas, outrora inflados, hoje murchados. Duvida?

* O autor é deputado federal (PT-MG)

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