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3º ENE – a geração de estudantes que enfrentou uma grande repressão na ditadura

Há poucos dias participei de uma live com meus companheiros que estiveram na linha de frente do 3º Encontro Nacional dos Estudantes (3º ENE).
O 3º ENE aconteceu em 1977, durante o governo de Ernesto Geisel, época em que o Brasil ainda apresentava uma forte repressão. Já nos organizávamos para reconstruir a União Nacional dos Estudantes (UNE), que entrou na ilegalidade durante o Golpe de 1964.
Foram realizados três encontros do 3º ENE. Dois foram em São Paulo, na PUC-SP e na USP. Mas o de Belo Horizonte, que aconteceu na Faculdade de Medicina da UFMG, foi marcado por uma forte repressão. Primeiro pela tentativa de boicote a mando do governador Aureliano Chaves, fechando todas as entradas da capital mineira. Antes mesmo da realização do evento os ônibus vindos de outras cidades passaram por revista policial onde foram apreendidos materiais considerados subversivos, além de terem sido efetuadas diversas prisões.
Ainda assim, centenas de estudantes, a maioria moradores de Belo Horizonte, conseguiram furar o bloqueio imposto pelo autoritarismo. Eu estava entre eles. Nossa estratégia, já antevendo a forte repressão que estava por vir, foi ocupar a Faculdade de Medicina na véspera da data marcada para o início do evento. Fomos cercados por um exagerado aparato policial que parecia estar preparado para uma guerra. Um cordão militar fechou a portaria da instituição na avenida Alfredo Balena impedindo que as pessoas entrassem ou saíssem.
Tentaram nos vencer pelo cansaço e geraram uma grande tensão, nos pressionando a todo o momento, porém, não esmorecemos.
Enquanto isso outros estudantes que estavam fora da Faculdade de Medicina procuravam, mesmo com suas limitações, informar a sociedade sobre todas as arbitrariedades que aconteceram em decorrência do 3º ENE.
Estas mobilizações dentro e fora da Faculdade de Medicina tinham um objetivo em comum: garantir a segurança dos nossos colegas presos. Depois de tantas negociações houve um acordo para que saíssemos sem violência para sermos fichados pela polícia. Porém, eles descumpriram o combinado. Abraçados, em grupos de quatro ou cinco pessoas, passamos de cabeça erguida por um corredor polonês com a guarda da PM nos agredindo e tentando nos amedrontar.
Esta ocasião tem como vitória o início da reconstrução da UNE, além de ter ajudado a mostrar ao Brasil os horrores daqueles tempos de chumbo.
Tenho muito orgulho de pertencer a essa geração corajosa e aguerrida. Que continue a inspirar os jovens de hoje. Viva o 3º ENE!
Fotos: arquivo Estado de Minas

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